Escritos do Maninho, poemas, letras de música, pensamentos, textos…….Enfim, a vida do Maninho….

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Ele

Ele tem a facilidade de me fazer sorrir.
É quase bobo, e é quase sempre. Uma música toca no rádio e os pulos dele me arremessam em um mundo cheio da alegria que ele respira.
Quantos são os momentos que passaremos juntos? Ah, eu queria que fossem todos, e que fossem para sempre.
Quando cresceres saberás o quanto me fazes feliz, na tua maneira fácil de arrancar meus sorrisos mais escondidos.


Tinta fresca

Aquele dia sim, tudo parecia estar mergulhado no calor e na umidade típicos dos fins de tarde de janeiro, na atmosfera lenta e carregada que multiplica o peso dos braços e das pernas.
Naquele dia, o olhar perdido dele não achava paradeiro, e passeava pela calçada do outro lado da rua em indas e vindas cansativas, como se perseguisse moscas, até que um clarão o deixou cego.
De todo o azul que há no céu não se poderia fazer nada parecido com aquela cor azul daqueles olhos lá, do outro lado, que pouco piscavam, que pouco se abriam.
Foi fulminante, seria fatal se não fosse feito inteiramente de vida e de tinta colorida.


Tu

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De todos os invernos
Desde os mais remotos
Esse é o que arde no peito
Com tamanha intensidade
Que o frio não pode apagar
Que as manhãs imersas em sono
Causam mais embriaguez
Dentro das lembranças do teu jeito
Causam tontura
Ao lembrar das ondas intensas
Que teu beijo causa

Em todos esses dias
Teus cabelos ficaram em mim
Esse inverno há de passar
Pois nele também há de vir
A alvorada de sonho
Cheia dos raios da manhã
Molhadas do calor da tua pele
Que derrete, que desmancha
Qualquer impedimento

Nesse hora sou teu
Somente teu
A exibir o sorriso de menino
Com o universo aos meus pés
Cheio do teu cheiro
Com o corpo pequeno
Para ter tamanha alegria

Tenho certeza que ali és minha
Logo tu, que eu sempre quis
Logo tu, logo tu…


Fotos show colatina

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Sempre de madrugada

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Assim como as coisas importantes da vida não costumam ter hora para acontecer, os desencontros, os desatinos, as amarguras também parecem desobedecer nossos reguladores de tempo, nossos relógios.
Não estou acostumado a ficar de frente para o fim da linha, e desconfio que nunca irei me acostumar. Há quem diga que é o meu trabalho, é minha obrigação estar conformado com a perda. Eu costumo dizer que não há contradição maior que um médico acostumado com a morte.
Ao perguntar, agora a pouco, se eu podia fazer algo por ela para que o mal estar passasse, se ela queria que eu ajeitasse seu travesseiro, ou que lhe cobrisse os braços, ela me respondeu devagar e serenamente: não, querido, assim esta bem bom…
O que vou pedir a Deus hoje poucos sabem, muitos pedem e todos precisam.
Madrugada, madrugada, sempre tu que não nos deixa dormir, deixe-me sem travesseiros, pois hoje não quero descansar…


Andando, pulando as pedras

Sempre que penso em ti, os arranhões parecem arder, abrem os poros pelos quais a pele respira e deixa seu suor, e me obrigo pedir teu abraço, tua atenção.
Queres estar diferente, porque não tens escolhas de ser igual. Quando eu pensaria que a tua beleza ao nascer seria pequena comparada ao que és hoje aos meus olhos?
Quando todos estão sentados, queres estar em pé, enquanto todos dormem, queres cantar, queres sorrir.
O que fazer quando me chamas? Eu espero o dia inteiro tuas palavras, e mesmo sem pedires eu antecipo teus anseios, na tentativa de achar-te em mim, de dizer-te que estou em ti, e que sei do que precisas.
Hoje me ensinas o amor, me ensinas como andar, como pular por entre as pedras do quintal, me ensinas a falar tua língua, bonita, lenta e cheia de segredos, mas desnecessária hoje diante do teu sorriso encantador.


Cezane

 

Eu olhava pela fresta, pelo mínimo orifício que me dividia da parte de fora, do ar livre que repiravam e que eu não sentia, da correria, do som alto e repetitivo da vida que pulsava.

É bonito, é colorido e é abstrato. É como se a porta se abrisse, e o buraco da fechadura, que antes parecia o mundo inteiro visto daqui, já era pequeno aos meus olhos, que queriam mais, queriam ser, queriam estar.

Lá fora, nú, desprotegido, eu andei aos galopes, solto, desperto, mas atento ao que não me podia faltar depois. Os instantes com a porta aberta valem todos os segundos, e mesmo que eu não tenha mais força para caminhar, as lembranças me visitam, e meus olhos são lavados por elas, e nenhum vermelho pode mais manchar.

A vida é pequena, curta, distante e implacável. O que não se faz hoje, se perde hoje, e amanhã já se está em dívida. O tempo vai se cumprir.