ao-meu-filho

Imagino um dia só
Em que a claridade possa me esperar
Que longe do sonho eu possa então sentir
Teu chorar, teu respirar

Aqui comigo
Toda a imensidão do abraço
Toda a vastidão de um beijo
Em tuas pequenas mãos
Se encontram meus maiores desejos

Anda, minha pequena gota
Meu pedacinho de céu
Anda, que andando te espero
E mesmo que nunca me esperes
Seguirei pra sempre te amando

dias-de-calor

Recebi uma carta
E dentro dela um assovio
Na melodia lenta
Que nos dias de verão
Fazem o corpo amolecer

Uma rajada de vento
Em uma só chama de calor
Tua presença me invade
Pelas narinas
Pela pele
Pelos poros

E uma gota aparece
De suor, de choro, de imensidão
Que no sal encontra seu gosto
Que transforma a pele em areia
E faz da gota um oceano

eu-espero

A todos os participantes desse humilde blog, um desejo sincero de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Sei que ando ausente, mas não me falta gana nem versos pra cantar, só um momento de silêncio temporário…
Abraços a todos!!!

Ah, e obrigado pela indicação ao Dardos, me senti muito honrado!!!!

PS: nosso nenê cresce muito bem e saudável, ainda não sabemos ao certo se é menino ou menina (que suspense, ehehhe)

 imagem_dali_ovo_sol

 

                Os pedaços de sol que entram em meu quarto já são suficientes para me acordar.

                Em um pulo só me deparo com a mesa, e um dia todo em minha frente vai se configurando. Cada fatia de pão em seu lugar…. Largas, finas, cada camada revela seu destinatário, e sorrindo me desfaço deixando meu rastro em cada lugar.

                Nunca fui de caminhar devagar, procuro estar mais próximo sempre que posso.

                Queres me achar? Procure por perto.

                Dizem que o sorriso é meu cartão de visita. Em geral concordo, sempre gostei de mostrar os dentes a quem merece. Ninguém sabe que meu rosto se resume em meus olhos, que por pouco não se fecham a cada sorriso, mas que destilam amores e sentimentos.

                Quando a porta está fechada sou o primeiro e bater.

                Quero resolver problemas, solúveis ou não, desde que se possa sonhar que eles dissolvam na luz que inunda meu quarto.

                Não há forma melhor de me conhecer que estar em silêncio comigo, e no escuro da noite, rezar para que a luz nunca pare de brilhar.

 

 

PS: Nosso nenê já tem 5,4 cm, e ainda não sabemos ao certo se é menino ou menina, só temos palpites…..

idoso-olho

Na rua os retratos da solidão infeitam o arvoredo, que pelo vento que refresca essa época do ano, vive penteado como se fosse cria lambida.

Em cada rosto um recado, em cada gesto um lamento. Tantos anos de convivência e um futuro de ausência deixam o sorriso da mulher manchado.

Na noite gelada uma notícia ruim cala o saguão do hospital.

Quanto tempo se passou desde que eramos crianças? A mulher procura respostas em toda fé que ainda resta.

Será possível Deus participar disso? Disse-me ela, sem piscar os olhos.

Naquele momento me enxerguei aos prantos, fugindo pra casa, rezando para que tudo estivesse em paz quando amanhecesse o novo dia.

 

                Em meio a nuvens e ventania o menino abre os braços e grita. Sua felicidade chega ao auge quando os primeiros pingos de chuva molham o seu rosto.

                Era outono, e o frio tomava conta da cidade, invadindo lentamente os lares e os ossos. De bermudas ele não sentia as barras de gelo que eram seus pés, já sem os chinelos.

                A vizinhança toda olhava pela janela aquele espetáculo singular, onde as gotas de água se misturavam ao sorriso do menino. Rico, ele tentava segurar entre as mãos o motivo de sua alegria. Era dia de fartura.

                Todos na região sabiam que nos dias de chuva, sempre podia se ouvir aquele menino que dizia vender chuva.

 

 

O céu abre passagem

Quando os ponteiros dizem não

Quando o momento insiste em estar

Mais próximo do sim

Talvez seja a hora

De arrumar as malas, ser vagão

Que anda sem saber o rumo

Só pelo prazer de andar

Estar no passo certo

É redundância, é a vida

Puxada na locomotiva

Que os dias atrevidos

Insistem em pegar carona

Que horas já são?

Nesse instante me devoro

No pensamento constante

Na hora que deveria ser minha

E que sem angústia controlo

 

Há algumas semanas visitei uma casa, um lugar acolhedor que reflete um pouco das qualidades do casal que vive com sua filha ali. Ele se chama Marcelo Quintanilha, um cara bem humorado, cabeça aberta, espontâneo e inteligente. Ela se chama Vânia Abreu, mulher decidida, talentosa, de olhar manso mas de fala precisa.

Os dois, hoje, me visitam, cada um com o fruto do seu trabalho, e seus cantos povoam minha casa. Há dias que escuto esses dois, e há algo neles que me impressiona.

O cuidado com relação ao que cantam, o bom gosto na seleção de repertório e a delicadeza dos arranjos só espelham o amor que eles tem com a boa música que praticam, a boa música brasileira.

Eles são fiéis a essa cultura, são fiéis a nossa linda língua portuguesa.

Hoje eles tem mais que a custódia dos meus ouvidos. Já conquistaram meu respeito e minha admiração.

 

www.vaniaabreu.com.br

www.marceloquintanilha.com.br

 

Um dia desses uma amiga me disse: Vou fazer um desenho pra você com todas as cores do mundo.

Foi o início de uma avalanche dentro da minha cabeça. Todas as cores, sem faltar nenhuma, num desenho só.

Se eu pudesse pintar o amanhã seria assim, bem colorido.

Costumo dividir aqui no blog algumas histórias, poesias, músicas e um pouco da minha vida.

Hoje divido com vocês minha vida, meu futuro!

Eu e a Alessandra fizemos um desenho pra nós, com todas as cores do mundo, todinhas, heheheh

Serei pai!!!

             

 

               Alguém cruzava pelo corredor ainda cedo de manhã.  Os dias eram todos iguais naquele lugar, como se vida fosse reduzida a poucos metros quadrados, totalmente cercados, de onde não se pode sair.

                Havia um ruído durante a noite que não o deixava dormir. Era uma soma da respiração de tanta gente em tão pouco espaço, e os assobios ganhavam eco por entre as pilastras que dividiam os tais corredores.

                No meio do ar denso, uma voz tomava forma, e trazia um bem estar que atingia a alma, e só depois disso conseguia dormir.

                Anos depois, já em liberdade, resolveu ir ao encontro do dono da voz.

                Ao contar sua história, calou aquele que na fita cassete cantava, enquanto se ouvia um choro misto de satisfação e alegria: Deus estava todo tempo ali, conosco!

 

 

 

PS: Durante o final de semana passado recebi um testemunho que talvez seja o mais importante de toda minha vida como músico. Minhas músicas foram consolo e porta de liberdade de alguém que permaneceu em uma cadeia durante 8 anos. Fui companhia para essa pessoa, que hoje esta livre, muito livre. Ganhei um abraço, e não tive tempo de perguntar nem ao menos seu nome. Quando foi embora, fiquei observando como eram seus passos, e em linha reta, cabeça baixa, só consegui ver que fazia o sinal da cruz enquanto virava a esquina. Naquele momento, eu também podia ir embora.

 

 

 

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