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O que carrego comigo
Além de partes e mais partes
É um desejo inconfundível
Que se expande cada vez que ouço
Uma voz, um tesouro
Guardado ali como se fosse ouro
A espera de ser sempre
A cada respirar uma palavra
E a cada movimento o teu sorriso
Parece balançar todo o meu mundo
Que em plena emoção
Parece mudo
Mas com a palma da minha mão
Ganha sentido
E assim, a tua voz, escuto
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Uma multidão de homenzinhos o perseguia. Eram dezenas, todos vestidos com uniformes vermelhos e botas reluzentes, chapéu com uma pena na ponta e um mosquetão nos ombros. Mediam cerca de 5 cm, mas suas vozes ecoavam na cabeça do menino como se fossem reproduzidas por um alto-falante.
Nos momentos de indecisão, os homenzinhos gritavam suas opiniões. Aplaudiam toda e qualquer façanha e faziam festa toda a vez que o menino sorria.
Uma vez o menino chorou, e toda a legião de homenzinhos ficou muda, reunida no canto do quarto. Passaram algumas horas naquela posição, como que esperando o momento exato para o ataque militarmente preparado. Fizeram uma fila organizada e marcharam pelo quarto, em silêncio, fazendo voltas, recuando e formando figuras geométricas sobre o tapete.
Ao ver o desenho de uma flor, o menino sorriu, e a legião de homenzinhos gritou como nunca, e alguns deles caíram exaustos de tanta risada e só acordaram no dia seguinte.