idoso-olho

Na rua os retratos da solidão infeitam o arvoredo, que pelo vento que refresca essa época do ano, vive penteado como se fosse cria lambida.

Em cada rosto um recado, em cada gesto um lamento. Tantos anos de convivência e um futuro de ausência deixam o sorriso da mulher manchado.

Na noite gelada uma notícia ruim cala o saguão do hospital.

Quanto tempo se passou desde que eramos crianças? A mulher procura respostas em toda fé que ainda resta.

Será possível Deus participar disso? Disse-me ela, sem piscar os olhos.

Naquele momento me enxerguei aos prantos, fugindo pra casa, rezando para que tudo estivesse em paz quando amanhecesse o novo dia.