Outubro 2008


 

                Em meio a nuvens e ventania o menino abre os braços e grita. Sua felicidade chega ao auge quando os primeiros pingos de chuva molham o seu rosto.

                Era outono, e o frio tomava conta da cidade, invadindo lentamente os lares e os ossos. De bermudas ele não sentia as barras de gelo que eram seus pés, já sem os chinelos.

                A vizinhança toda olhava pela janela aquele espetáculo singular, onde as gotas de água se misturavam ao sorriso do menino. Rico, ele tentava segurar entre as mãos o motivo de sua alegria. Era dia de fartura.

                Todos na região sabiam que nos dias de chuva, sempre podia se ouvir aquele menino que dizia vender chuva.

 

 

O céu abre passagem

Quando os ponteiros dizem não

Quando o momento insiste em estar

Mais próximo do sim

Talvez seja a hora

De arrumar as malas, ser vagão

Que anda sem saber o rumo

Só pelo prazer de andar

Estar no passo certo

É redundância, é a vida

Puxada na locomotiva

Que os dias atrevidos

Insistem em pegar carona

Que horas já são?

Nesse instante me devoro

No pensamento constante

Na hora que deveria ser minha

E que sem angústia controlo