A parede amarelada continha diversos bilhetes, aleatoriamente dispostos, numa tentativa frustrada de organizar seus pensamentos.
Alguns diriam que era loucura, outros diriam que era estupidez.
Ele achava que era arte…
Junho 19, 2008
A parede amarelada continha diversos bilhetes, aleatoriamente dispostos, numa tentativa frustrada de organizar seus pensamentos.
Alguns diriam que era loucura, outros diriam que era estupidez.
Ele achava que era arte…
Junho 9, 2008
Em uma rajada rápida o vento derruba as folhas da Aroeira do quintal vizinho, movendo-as por sobre o piso de concreto, fazendo um ruído oscilante, como se houvesse alguém, como se caminhassem arrastando os pés.
Nesse dia resolveu escrever uma carta, despretensiosa, falando sobre as coisas simples. Nem o ar frio, nem a chuva fina podiam atrapalhar a aparição do sol, que aos poucos ia tomando conta da paisagem do fim de tarde, por entre as nuvens abrindo espaço para fazer companhia ao menino.
Sentia como se os dedos falassem, e cada frase escrita era como espelho das palavras sentidas. Chegava a ouvir, no atrito do lápis com o caderno, o sotaque que só nas regiões vizinhas se podia ouvir.
Desde pequeno havia algo que não o deixava calar, porém, com o passar do tempo, aprendeu a falar cada vez mais baixo, e o silêncio começou a tomar conta da casa e de seus pensamentos.
Ao finalizar a carta agradeceu, e em um golpe só engavetou o escrito, escondendo o que havia de bonito, ocultando o que havia de mais profundo.
Voltou a olhar para o sol.