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Ultimamente andava cansado, e o peso das pernas o fazia parar a cada esquina, numa caminhada cíclica que confundia os vizinhos.
Era daqueles homens que não conseguia ficar parado, hora pensando sobre os assuntos mais importantes, hora descascando um tronco de ipê em frente a sua casa, como se daquilo dependesse sua calma, sua paz.
Quando notou que não havia quem prestasse atenção ao seu assobio, começou a cantarolar pequenas canções de sua autoria, a maioria falando dos dias frios e da solidão.
Quando notou que ninguém ouvia, começou a gritar palavras soltas, uma mescla de sentimentos e definições muitas vezes vividas, outras não.
Quando notou que ninguém sentia, já era tarde…
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A frase certa no momento errado
E a solidão dos dias
Que passam, que passam
Não há decepção maior
Do que a hora marcada
Em que o esperado
Simplesmente se esquece
Fica na mão um bilhete
Uma vontade apertada
Como nó que não cede
Fica o desejo de estar
Vence o desejo de ir
O bilhete em pedaços descansa pelos cantos
E os pedaços do coração vivem como bilhetes
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Adianta o passo, meu amigo. Esta é a ordem.
Se não te querem, ou não querem o que podes dar, ofereça mesmo assim. É a triste lei a que estamos nós atrelados, seres pensantes.
Sei que minha voz parece pouco, e que meu exemplo não serviria aos macacos, mas se eu me calasse não haveria o que comparar, não haveria quem combater.
Meu coração aperta quando entendo teu esforço e tua maneira de ver o mundo. Tão pouco tempo e eu já aprendi um tanto da tua linguagem, simples, mas audaciosa.
Reconhecer os teus valores e tuas prioridades confirmam minha idéia de que nosso meio realmente não está preparado para pessoas do teu “naipe”
Me identifico contigo, em pequena escala, claro. Escrevo o que posso, canto o que meu medo me permite. Mas nas tuas mãos vejo possibilidades de mudança, diferente das minhas.
“Acredito no que podes fazer, mas também acredito no que não podes” já diria um outro amigo meu, e hoje isso me serve pra te dizer que não desista, apesar do não que recebes e das tuas decepções.
Novamente te falo: adianta o passo!
Não importa a direção…
O que gosta de ser essa menina
Gosta de bambolê, de ter Maria-chiquinha
Gosta tanto de ler, gosta do que vê e sente
Prende flor no cabelo, usa vestido de chita
Calça chinelo de dedo, na rua sempre desfila
Na passarela do ipê, dança e canta como artista
Gosta de pastel de queijo
Com goiabada e um beijo seu
Borda o seu nome num lenço
Deixa um bilhete na porta
E diz que vai voltar
Diz que vai voltar
(PS: outra letra de música do projeto citado anteriormente…. começo a sonhar que dê certo!)
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Quando a sala esta vazia
Espero a noite chegar
Pratos, velas, lamparinas
Corro pra preparar
Hoje é noite de luar
Não quero estar sozinha
Nos detalhes do vestido
Branco, bonito de se olhar
Mostro a saia de rodar
Que a mãe mandou separar
Hoje é noite de luar
Não deixa o ar
Perder seu lugar
Dentro de mim
Quando o silêncio enfim fizer de conta
Que não está presente a me acompanhar
Farei de conta que o amor não está distante
Que hoje é noite de luar
(Letra de música que faz parte de um projeto pessoal sobre o universo feminino, quem sabe um dia vocês consigam ouvir….)