Maio 2008


 

 

 

Ultimamente andava cansado, e o peso das pernas o fazia parar a cada esquina, numa caminhada cíclica que confundia os vizinhos.

Era daqueles homens que não conseguia ficar parado, hora pensando sobre os assuntos mais importantes, hora descascando um tronco de ipê em frente a sua casa, como se daquilo dependesse sua calma, sua paz.

Quando notou que não havia quem prestasse atenção ao seu assobio, começou a cantarolar pequenas canções de sua autoria, a maioria falando dos dias frios e da solidão.

Quando notou que ninguém ouvia, começou a gritar palavras soltas, uma mescla de sentimentos e definições muitas vezes vividas, outras não.

Quando notou que ninguém sentia, já era tarde…

 

 

 

 

A frase certa no momento errado

E a solidão dos dias

Que passam, que passam

 

Não há decepção maior

Do que a hora marcada

Em que o esperado

Simplesmente se esquece

 

Fica na mão um bilhete

Uma vontade apertada

Como nó que não cede

 

Fica o desejo de estar

Vence o desejo de ir

O bilhete em pedaços descansa pelos cantos

E os pedaços do coração vivem como bilhetes

 

 

 

Adianta o passo, meu amigo. Esta é a ordem.

Se não te querem, ou não querem o que podes dar, ofereça mesmo assim. É a triste lei a que estamos nós atrelados, seres pensantes.

Sei que minha voz parece pouco, e que meu exemplo não serviria aos macacos, mas se eu me calasse não haveria o que comparar, não haveria quem combater.

Meu coração aperta quando entendo teu esforço e tua maneira de ver o mundo. Tão pouco tempo e eu já aprendi um tanto da tua linguagem, simples, mas audaciosa.

Reconhecer os teus valores e tuas prioridades confirmam minha idéia de que nosso meio realmente não está preparado para pessoas do teu “naipe”

Me identifico contigo, em pequena escala, claro. Escrevo o que posso, canto o que meu medo me permite. Mas nas tuas mãos vejo possibilidades de mudança, diferente das minhas.

“Acredito no que podes fazer, mas também acredito no que não podes” já diria um outro amigo meu, e hoje isso me serve pra te dizer que não desista, apesar do não que recebes e das tuas decepções.

Novamente te falo: adianta o passo!

Não importa a direção…

 

 

 

  

 

 

 

 

O que gosta de ser essa menina

Gosta de bambolê, de ter Maria-chiquinha

Gosta tanto de ler, gosta do que vê e sente

 

Prende flor no cabelo, usa vestido de chita

Calça chinelo de dedo, na rua sempre desfila

Na passarela do ipê, dança e canta como artista

 

Gosta de pastel de queijo

Com goiabada e um beijo seu

 

Borda o seu nome num lenço

Deixa um bilhete na porta

E diz que vai voltar

 

Diz que vai voltar

 

 

(PS: outra letra de música do projeto citado anteriormente…. começo a sonhar que dê certo!)

 

Quando a sala esta vazia

Espero a noite chegar

Pratos, velas, lamparinas

Corro pra preparar

Hoje é noite de luar

Não quero estar sozinha

 

Nos detalhes do vestido

Branco, bonito de se olhar

Mostro a saia de rodar

Que a mãe mandou separar

Hoje é noite de luar

Não deixa o ar

Perder seu lugar

Dentro de mim

 

Quando o silêncio enfim fizer de conta

Que não está presente a me acompanhar

Farei de conta que o amor não está distante

Que hoje é noite de luar

 

 

 

(Letra de música que faz parte de um projeto pessoal sobre o universo feminino, quem sabe um dia vocês consigam ouvir….)