Abril 2008


\"Nascer do Sol\"

Hoje vou fazer de conta

Sair andando devagar

Como quem tem todo o tempo

E o mundo me esperasse

 

Hoje vou dizer bom dia

Como se o dia fosse

Já que precisa ser feito

Que seja pelo nosso desejo

 

Hoje o mundo me espera

Hoje o dia é bom

Hoje o amor me encontra

E o tempo que me devolva

Os dias que já perdi

 

                

                O dia era chuvoso, e os sapatos faziam um som em contato com a calçada, espalhando gotas pela rua, deixando pegadas que desapareciam em segundos.

                O caminho ele não sabia, mas era movido por um sentimento de falta, algo que conseguia traduzir somente com uma palavra: Saudade.

                Quando o vento o alcançava de lado, trocava os passos, segurando a jaqueta com a mão, escondendo o rosto, mesmo sem ter vergonha do que fazia. Buscava um alívio, buscava uma cura.

                Quando chegou à porta da casa, viu aqueles olhos através da janela. Prendeu a respiração durante alguns segundos.

                Olhou, sorriu, respirou.

                Voltou…

 

                Havia uma maneira de conseguir sua atenção.  Enquanto cantavam o menino sentava sobre os tornozelos, e por ali podia ficar horas, somente escutando.

                Os homens costumavam cantar enquanto batiam seus martelos, e as melodias enchiam o ambiente de calor no inverno gélido do sul do país.

                Quando o mandavam para casa, o menino não se movia.

                Já está na hora!!! Sempre diziam.

O menino apontava para seu punho, onde havia desenhado um relógio, dizendo para si mesmo: no meu tempo sempre há tempo.

E os homens cantavam mais uma canção.

 

               

                Toda vez que a porta rangia e o vento gelado percorria os cômodos da casa a sensação do menino era a mesma. Um tremor parecia brotar de dentro dos ossos, e escondido entre as cadeiras da cozinha ficava horas até alguém chamá-lo.

                Venha cá, senão te arranco a cabeça! A frase soava tão corriqueira que o menino já acostumado levantava aos prantos antes mesmo da dor chegar.

                Todos os tapas e esmurros não chegavam aos pés do medo da frase se concretizar. Na imaginação do menino, as palavras da mãe eram um fantasma com o qual tinha de viver até ser vencido.

                Meu telefone toca, e na emergência alguém me chama. Desço as escadas apressado. Uma mão inchada, a outra não enxergo.

Tudo é tão rápido, e o menino só fala de um alicate, e eu em silêncio só penso em Deus.

O menino pergunta se vai doer, e em seguida me pede a mão. Eu a ofereço, e em troca não recebo a dele, e sim sua cabeça.

 

pedacos-de-luz.jpg

 

Onde quer que apareça

Parece deixar um pedaço seu

Como fragmentos

Faíscas e lampejos

Da luz que já se foi

 

Onde quer que esteja

Força-me a estar vivo

Conta-me uma história

Que não me deixa dormir

 

Depois vai embora

Apagando a luz do quarto

Levando meus pensamentos

 

Atrás de mim há um rastro

Dos restos que um dia fui

 

Quem sabe um dia alguém verá

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Como vocês podem ver estamos reformulando algumas coisas no site. O blog agora estará sempre ativo tanto pelo link no site www.maninhoonline.com.br/blog como diretamente no www.maninhoonline.wordpress.com .

Espero não ficar mais sem vocês…

 Abraços a todos

Em breve coloco algo legal aqui, quem sabe uma letra de música, um poema, um texto….. Estou aberto a sugestões…..