Aquele dia sim, tudo parecia estar mergulhado no calor e na umidade típicos dos fins de tarde de janeiro, na atmosfera lenta e carregada que multiplica o peso dos braços e das pernas.
Naquele dia, o olhar perdido dele não achava paradeiro, e passeava pela calçada do outro lado da rua em indas e vindas cansativas, como se perseguisse moscas, até que um clarão o deixou cego.
De todo o azul que há no céu não se poderia fazer nada parecido com aquela cor azul daqueles olhos lá, do outro lado, que pouco piscavam, que pouco se abriam.
Foi fulminante, seria fatal se não fosse feito inteiramente de vida e de tinta colorida.

















